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20 de jan de 2014

*Onírico 10 - Teenage dream

Tem, né?

Há alguns anos comecei a escrever algumas histórias baseadas em sonhos que tive. É um tipo bem específico de sonho. Além de muito vívidos, eu nunca sou eu. Quer dizer, às vezes até acontecem coisas do meu ponto de vista, "na primeira pessoa", mas aquela pessoa não sou eu. Não tem meu nome, nem minha história, nem minha aparência, e faz coisas que eu nunca fiz, nem faria. Eu tenho vários sonhos assim, e é claro que nem todos prestam para virar histórias. Quando algum deles tem "potencial", invariavelmente eu fico "elaborando" aquele plot por dias. Falando sozinha, fazendo diálogos, organizando os fatos na minha cabeça, acrescentando e preenchendo as lacunas que a atividade onírica não se preocupa em resolver. E acabei começando a escrevê-los. Porque afinal...

Né?

E assim surgiu, timidamente, a série de histórias que eu chamo de "Oníricos". Confesso que o primeiro nunca criei coragem de escrever (quem comprou meu primeiro livro sabe disso), por uma série de razões que,enfim, não vêm ao caso. O segundo é graaaande, virou um romance, e ainda não terminei porque dá um certo trabalho. É muito legal, vcs vão adorar, mas aguardem um pouco mais, ok? O terceiro, quarto, quinto, sétimo estão publicados no primeiro volume da série, que é completado pelo décimo segundo, um caso raro de imediatismo, um sonho que virou Onírico em um só dia, sem elaboração nenhuma. O sexto está bem adiantado, mas ainda inacabado. O oitavo só foi sonhado e plotado, ainda não comecei. O nono está apenas iniciado. E aí veio o décimo.

[diálogo original do sonho, frases mantidas intactas no livro]

Sonhei de 17 para 18 de janeiro de 2013, e fiquei o domingo inteiro bêbada de paixão. O mês inteiro. Em 18 dias a história estava escrita, e eu não desapaixonava de jeito nenhum. Me vinham cenas de depois do fim, os personagens insistiam em continuar vivendo na minha cabeça e à minha volta, mesmo depois de terminado o livro. O outro personagem exigia seu direito à sua própria versão, em seu idioma de origem.


Então sucumbi, né? Porque escrever é assim. Antes de pensar em leitor, em se dar a ler, se meter a publicar, vender e promover, escrever é como abrir aquela lata de leite de condensado porque é preciso que ela transborde logo ao primeiro golpe, ou periga espocar. É como aquela cirurgia no cérebro pra tirar o excesso de sangue, ou vc periga morrer. É preciso dar vazão ao que transborda, senão... nem quero saber. Depois que começa, não para.

E foi um ano inteiro, bêbada dessa paixão. Já lá se vão mais de mil páginas escritas dessa história (and counting!), e agora pari o começo dela para vcs. Comprem, leiam, riam, divirtam-se, apaixonem-se. Não tenho a ambição de mudar vossas vidas, mas se eu tornar vosso dia ou vossa semana melhor, já fico feliz. Porque...



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14 de jan de 2014

Benedict Cumberbatch

"The talentless wooden acting of arse-named, horse-faced twot Benedict Cumberbatch."

De acordo com alguém ("um blog", segundo o próprio), ele não tem talento, atua como se fosse um pedaço de pau, tem um nome de cu e uma cara de cavalo.


Elas discordam. Eu também. E cada vez mais gente. Milhares e milhares.

Arse-named and horse-faced? Check. Both. Que nome é esse? Que ator se lança com um nome desses?Nem o pai dele (também ator) teve coragem, e adotou profissionalmente o nome do meio. Esse nome nem dá pra galera gritar!


Ahn... Dá sim.

Ok, eu não tenho que provar que Benedict Cumberbatch é um fenômeno. Mas eu queria entender por quê. Eu queria entender por que ele é um fenômeno, e o que eu estou fazendo no meio desse arrastão que ele tá causando no seu rolezinho pelo planeta.

Ele não tem nada de óbvio, do nome à cara. Você pode facilmente - muito facilmente até - achar que ele é somente feio. Não sem graça, nem "ah, ele é ok". Não. Feio mesmo.


É um alien? Uma lontra? Uma fuinha? É o Grinch?? Vocês conseguem ter sonhos eróticos com isso aí?

Oh, sim. Regularmente.

Como, gente? Como??

Primeiro, tem isto. His. Fucking. Voice.


His voice is "like a Jaguar hiding in a cello" (The Times).

Precisamente.

Talento. Cheguei a pensar em procurar um vídeo, uma cena. Não é justo. As três temporadas de Sherlock devem ser suficientes para arrebatar qualquer mortal. Os poucos minutos de sua participação no especial de 50 anos do National Theatre bastaram para me deixar de boca aberta. Eu bati palmas pra ele sozinha em casa, vendo no YouTube (parece que esse vídeo foi retirado, uma pena). Mas e Hawking? Wreckers?Parade's End? Ele é monstruoso. Ele é possivelmente o melhor ator dessa geração em qualquer parte do mundo. Eu acho isso, de verdade, honestamente. A atuação dele me arrebata e me arrebenta, seja com roteiro de Moffat, seja com roteiro de Stoppard, seja em Star Trek.

Ele podia ser um ícone nerd, embora não acredito que seja. Interpretou Stephen Hawking e Alan Turing (em produção, The Imitation Game), esteve em Star Trek e o Hobbit. E ele é o melhor Sherlock Holmes deste século. De verdade ele provavelmente é o melhor de todos os Sherlock Holmes, mas eu tenho dificuldades de dizer isso por causa de Jeremy Brett. Mas sem dúvida ele estrela a melhor e mais brilhante adaptação de Sherlock Holmes jamais feita na tv ou no cinema. E foi assim que ele entrou na minha vida. Mas não foi tão óbvio assim me apaixonar por ele. Não esqueçam que ele não é óbvio.

Lembra que ele é esquisito, né? Ele é até meio feio, né?

Bem... Olhe outra vez.

Mas... Mas... Aquele cara?

Sim. Aquele esquisito da cara de cavalo.

Gente... Mas ele é lindo.

Pois é. E sexy.


E também... Os olhos.


E ainda... Oh, shit!


Aí você entra naquela estágio de "não é possível que esse cara seja tudo isso, bom ator pra caralho, só faz coisa legal na tv e no cinema, ele deve ser chato!".

Ele é engraçado pra caramba e super divertido. Ele ri de si mesmo, ele não se leva a sério.

"Ele deve ser grosso com os fãs."

Ele é a criatura mais doce com seus fãs que eu já vi (vide os 2 primeiros vídeos do post). Ele larga a imprensa de um lado do tapete vermelho e trota alegremente em direção aos fãs e, dedicadamente e com um sorriso no rosto, tira fotos, dá autógrafos, ri, faz gestos obscenos carinhosos e AGRADECE MILHÕES DE VEZES a presença de cada um. Eu já vi isso dezenas de vezes, e nunca vi nada diferente. Ele se deixa filmar cantando parabéns pra uma fã e se levanta do sofá de um programa de tv pra ir abraçar e beijar uma moça que viajou mais de 20 horas para ir vê-lo. Doce assim. Nesse tanto.

Por essa razão ele tem o melhor fandom do mundo. Um fandom que usa datas como o aniversário dele e o Natal para levantar fundos para instituições de caridade e dar a grana de presente em nome dele. E ele sempre agradece esses gestos efusivamente através de amigos no twitter.

Porque ele não tem twitter, mas ele entende tudo de internet. Ele brinca com a gente, ele brinca com o poder, ele brinca com o nosso mundinho. Ele interage conosco, através de um amigo ou de uma folha de papel cheia de garranchos, ou mandando um recado por algum fã que está atrás dos cavaletes, vendo as externas de Sherlock. Ele sabe que o recado vai viajar mais rápido que rastilho de pólvora e que, em minutos, todos nós, o CumberCollective, ficaremos sabendo que a bronca era para os paparazzi, e não pra nós.

(a bronca)

"Ele deve ser um alienado cabeça oca."

A propósito...

(o protesto silencioso, aka "twitter primitivo")

Ele é capaz de levar de casa para uma externa um monte de folhas de papel que levantam questões e críticas importantes e polêmicas sobre atitudes do governo britânico em termos de privacidade e segurança e se deixar fotografar em protesto silencioso fazendo MILHARES DE FÃS TROCAREM LINKS DE NOTÍCIAS PARA SABER DO QUE ELE ESTÁ FALANDO. Ele está usando a posição dele para nos informar. Ele transformou o CumberCollective numa rede de debates e discussões naquele momento. E nós todos sabemos do que ele está falando. Porque o nível desse fandom não cessa de me impressionar, e entre as amizades que fiz nesse grupo inesperado, entre os esperados ataques hormonais, falamos de machismo, feminismo, história, psicologia e sociedade, e citamos Poe, sem falar em Doyle, claro.

As entrevistas dele (escritas mesmo, nem tô falando mais dessa cara linda que ele tem, nem da voz) são ouro puro. Ele pensa. O vocabulário dele é mais sexy que a bunda dele (e ele tem uma bunda linda). De quantos homens você pode dizer isso? Ele não é óbvio,em nada. Da cara, ao nome, às opiniões e respostas. Ele não perdoa quando o jornalista é óbvio, embora ele sempre consiga não ser grosso (so brit!!). Ele é engraçado. Eu já disse isso, né? É que ele é mesmo, e eu adoro o senso de humor dele. Ele é interessado, elegante, informado, ele tem opinião, ele é sensível, filho amoroso e repleto de gratidão. Ele se diverte tão notoriamente com o sucesso que é capaz de ligar pro pai dele no meio de uma premiere e fazer a gaiatice de pedir à galera que grite para o pai dele no telefone. Ele sabe que teve uma educação privilegiada e não tem vergonha de falar sobre isso. Ele fica genuinamente chocado com seu próprio sucesso, e isso não permite que suba à cabeça. Ele faz fangirling com a Adele e o Harrison Ford. Ele toca piano e canta baixinho e faz skydiving. Ele repete roupa mesmo em grandes eventos. Ele quer amar e ele sabe dançar.

"Ele tem que ter algum defeito, porra!"

É. Ele não sabe cortar tomates...

update: Absolutamente pasma com a visitação deste post. Algo como 20 ou 30 vezes mais acessos do que a média do blog! Diante disso, não posso deixar de me aproveitar do poder Beneditino e dizer-lhes que, se gostaram deste texto, certamente gostarão do meu livro. Questão de lógica, já que eu escrevi ambos, né? Então vai lá que tá baratinho e é apenas o primeiro! Fique fã agora, você não vai querer perder o que vem pela frente.

Promise. ;)

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6 de jan de 2014

Luxo e necessidade

Eu fico realmente impressionada (e entristecida, e preocupada, e chocada) com a dificuldade que certas pessoas têm de diferenciar luxo e necessidade. Achar que a cidade tá o cão de quente e sonhar com um ar-condicionado central na sua sala, meu amor, todo mundo, né? Mas daí a achar que é item de primeira necessidade, achar que não dá pra viver sem carro, sem ar-condicionado, que é PRECISO trocar o seu iPhone só porque saiu o novo? Se vc quer e pode trocar, viva, beleza! Se vc quiser me dar um split de presente pra minha sala, serei eternamente grata. Assim q eu puder, o farei eu mesma! Mas juro que sobrevivo com ventilador. Banho é de graça e refresca q é uma beleza.

Juro que já teve gente que me perguntou se as pessoas ainda andavam a pé pros lugares aqui em Belém, porque, porra, é quente demais. Não, meu bem, aqui TODO MUNDO tem carro com ar-condicionado.Vem pra K q nosso PIB é dinamarquês!

E tem realmente MUITA gente que acha que babá e/ou empregada e/ou enfermeira (!!) são NECESSÁRIAS quando se tem um bebê. Gente. Hello, né? Necessário pra ter um bebê é sexo e leite, nessa ordem. Eu não tenho absolutamente nada contra quem contrata toda a ajuda possível, mas convencer-se de que é impossível passar por esse momento sem "enfermeira noturna pelo menos nas duas primeiras semanas" é viver numa realidade tão irreal, num mundinho de tão tão poucas pessoas, que sem perceber você está alijando do seu mundo todo mundo que consegue ter um filho sem essa ajuda extra. Por exemplo, a sua babá, a sua enfermeira noturna, a sua empregada, a sua mãe, a sua avó!

O pior é que geralmente essas pessoas acham admirável que europeias e norte-americanas tenham suas proles sem essas porra tudo. "Não sei como as americanas vivem sem empregada e babá". Ah, sim, porque as brasileiras TODAS têm empregada e babá.

Eu fico sem fala...

É claro que ninguém vai deixar um bebê sozinho em casa, não se trata disso. Se vc trabalha fora (tenho perfeita consciência de que meu caso é um luxo e uma exceção, já que eu e meu marido trabalhamos em casa), vai precisar de um esquema pro seu bebê. Uma babá, uma creche, escolinha, enfim. Mas acreditar que vc não consegue ir ao supermercado ou ao shopping ou viajar sem a babá...Aí, desculpa, vc me preocupa um pouco como mãe. Leve a babá pra onde vc quiser, contrate sua enfermeira noturna e durma todas as noites tranquilas, de boa. Mas, amiga, entenda que isso é LUXO, e não necessidade. Garanto a você que é possível ir ao shopping só vc e seu bebê ou seu filho que já anda, corre e grita aos dois anos e meio feito a pestezinha duzinferno mais adorável. Dá mais trabalho, é óbvio, mas acredite: é possível.