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31 de dez de 2010

Os livros lidos em 2010


Seguindo a tradição, vamos ao post dos livros lidos no ano que se passou. Minha lista ficou meio desorganizada este ano quanto à ordem, por isso resolvi apresentá-la de outro modo, por temas. As releituras estarão marcadas com (R) e a numeração não representa a ordem em que foram lidos durante o ano, porque fui anotando meio doidamente:

1) Sem sangue, Alessandro Baricco
2) La comtesse de Cagliostro, Maurice Leblanc: mais um da série de Arsène Lupin. Apresenta a condessa de Cagliostro, personagem fascinante e intrigante. Mas ainda prefiro L'Aiguille Creuse.
3) Obrigado, Jeeves, P.G. Wodehouse: absolutamente delicioso como todos de Jeeves, de causar xixi nas calças e crises de riso vergonhosas, caso vc caia na besteira de ler em público. É meu terceiro Jeeves.
4) Eu mato, Giorgio Falletti: policial excelente, para corações fortes. Nada de crime confortável aqui. Requer estômago. Mordida a isca do mistério, fui até fim. Mas não lia de noite. :|
5) Resistência, Agnès Humbert: eu e meu fascínio pela Segunda Guerra. História verídica de primeira qualidade. Imperdível.
6) Trois Contes, Machado de Assis (ed. bilíngue, trad. p/ o francês Jean Briant): versão bilíngue de Machado traduzida pelo meu mestre amado-idolatrado professor.
7) Persépolis, Marjane Satrapi: conheci Marjane Satrapi através de uma aluna. Me diverti e aprendi muito.
8) Bordados, Marjane Satrapi: bom, mas Persépolis é muito melhor.
9) Entrevista com o vampiro, Anne Rice: sim, creiam. Meu primeiro Anne Rice. O vocabulário da Anne Rice é lindo.
10) O amor nos tempos do cólera, Gabriel García Márquez: sim, creiam. Meu primeiro García Márquez (inteiro). Simplesmente perfeito, porra, vou dizer mais o quê?
11) Paris (Guia Folha): assumi minha paixão por ler guias de viagem este ano, e pronto. Leio a passos de cágado, como se viajasse. Estou lendo mais uns três ao mesmo tempo agora, sem a menor intenção de terminar. Quando eu termino, ponho na conta daquele ano. Esse Guia da Folha é muito bom, cheio de dicas legais e úteis, mas a revisão é uma porcaria.

O bloco Agatha Christie
12) O assassinato de Roger Ackroyd: ah, o prazer de descobrir o culpado um pouco antes! Um dos mais engenhosos e mais bens construídos. Muito bom!
13) Testemunha de Acusação e outras peças: peças não são tão legais, mas a primeira é de tirar o fôlego.
14) Os Quatro Grandes: não gostei.
15) O mistério do trem azul: bom, mas nada de espetacular.
16) A noite das bruxas: gostei muito de alguns aspectos deste aqui, a parada do cold case, sabem?
17) É fácil matar: bem legal, fui muito bem enganada nesse aí.
18) Mistério no Caribe: excelente. A parada do cold case de novo, adoro.
19) Cai o pano: Oh-my-god. Na verdade esse é que foi o trigésimo livro, terminei ontem. A última aventura de Poirot, e totalmente surpreendente em mil coisas. Pelo método do assassino, pelo que acontece ao Poirot, pelo que ele é capaz de fazer, o danado! Épico.

Muitas releituras

20) As Aventuras de Sherlock Holmes vol 3 - Estrela de Prata (R)
21) O cão dos Baskervilles (R): estou relendo todos os Sherlocks, no momento tenho um volume em espanhol, que ganhei dos meus pais.
22) O dia do curinga (R): de vez em quando releio. Essencial para a vida.
23) Pollyanna, Eleanor H. Porter (R): reli depois de uns 20 anos. Revigorante.
24) Fanfan, Alexandre Jardin (R): graças à continuação on-line que Alexandre Jardin está escrevendo, não resisti e em uma semana devorei meu conto de fadas da juventude.

Tentativa
25) O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams (R)
26) O restaurante no fim do universo, Douglas Adams (até agora não sei se é releitura. sei que comecei, mas não sei se terminei uns anos atrás)
27) A Vida, O Universo e Tudo Mais: para ver se termino a série, concluo que só gosto mesmo do primeiro.

O bloco Petit Nicolas
28) Les surprises du Petit Nicolas, Sempé-Goscinny
29) Le Petit Nicolas s'amuse, Sempé-Goscinny
30) Le Petit Nicolas et les copains, Sempé-Goscinny (R): começar a reler Petit Nicolas é o princípio do desespero, percebem? Tá acabando. Só falta comprar uns dois... :(


p.s.: Mais um ano sem JK Rowling, e contando. Bora, lôra!

26 de dez de 2010

The Adventure of the blue carbuncle - Sherlock Holmes: O carbúnculo (o rubi) azul


"Meu nome é Sherlock Holmes, 
e é meu dever saber o que os outros não sabem."
(O carbúnculo azul, in As Aventuras de Sherlock Holmes vol. 2 - 
Um escândalo na Boêmia. Círculo do Livro)
É uma história favorita, que se passa quase inteiramente no dia 27 de dezembro e tem uma temática meio natalina.

Eu adoro essa história. Primeiro porque ela começa de modo tão inusitado, com um porteiro de hotel - Peterson - que aparece no 221B da rua Baker com um chapéu e um ganso abatido nas mãos que foram largados por um desconhecido Henry Baker numa rua qualquer. Holmes aconselha Peterson a levar o ganso pra casa e comê-lo, e fica com o chapéu.

E a segunda razão para gostar dessa história é que, a partir do chapéu, Holmes faz aquilo que faz melhor: ele deduz. Faz uma brilhante sequência dedutiva a respeito do proprietário da peça sem nunca tê-lo visto, a qual, claro, se confirmará mais tarde.

       - Então diga-me o que você pode deduzir desse chapéu...
       Holmes segurou-o e olhou- o daquele modo introspectivo que lhe era tão peculiar.
       - Sugere menos do que se poderia esperar; contudo, há algumas coisas muito claras, e outas que nos dão apenas alguns indícios. O homem é um intelectual, é mais do que evidente; acha-se atualmente em péssimas condições de vida, o que acontece de uns três anos para cá, pois antes disso vivia bem. Anteriormente, era cuidadoso, mas seu cuidado diminuiu de uns tempos para cá, o que é sinal evidente de decadência moral, a qual aliada ao declínio de seus bens, deve ter sido causada por alguma influência perniciosa, talvez a bebida, e essa pode ser a razão por que a mulher deixou de cuidar dele e talvez  já não o ame.
        - Meu caro Holmes!


Como sempre, podemos esperar que, após a explicação dos detalhes do chapéu que conduziram Holmes a cada uma das conclusões, o espanto de Watson se transforme em complacência, né? "Oh, é claro, é muito simples", dirá ele, ou algo semelhante. Sei, sei... 

O que não passava de uma distração matutina entre amigos torna-se um caso importante quando Peterson irrompe novamente no 221B tendo nas mãos uma pedra que fora roubada recentemente da Condessa de Morcar: o carbúnculo azul. Estava dentro do papo do ganso! E aí começa a brincadeira de verdade...

A grande sacada é que, pra chegar no ladrão, eles têm de refazer o caminho ao contrário. Do papo do ganso até o momento do roubo. É divertido!

Resolvi aproveitar o Natal e o carbúnculo azul para comentar a série The Adventures of Sherlock Holmes da Granada Television, que começou meio fraca, mas foi melhorando ao longo dos episódios, e o sétimo da primeira temporada, que corresponde a este de que vos falo, é bem legal. Nos papéis principais de Holmes e Watson temos Jeremy Brett e David Burke. É um bom Sherlock Holmes, acho que até conta com aquele toque afeminado na medida certa, porém a elegância máscula do cinismo também está presente (no entanto as lutas são muito mal coreografadas, senhor!). Ainda estou em busca da excelência no Dr. Watson*. Acho esse fraco. : (

Ponto fraco da série: direção e produção. Não mantêm um ritmo cativante, que prenda o telespectador. Ponto forte da série: fidelidade ao texto de Conan Doyle.

Pude comprovar isso assistindo ao episódio The Blue Carbuncle. Fiquei acompanhando com o original em inglês na Wikisource, e, gente, é fidelíssimo!! Os diálogos, tudo, uma lindeza! As lindas tiradas de Holmes, e na minha opinião, esse é o segundo melhor episódio da primeira temporada dessa série  (só perde para The Speckled Band), até em termos de produção. Vão ao detalhe de tentar reproduzir as cenas como nas ilustrações originais do The Strand!! Luxo!

Eu tenho adoração pelas ilustrações originais do The Strand, vejam só a cena clássica do estudo do chapéu:



E agora na série televisiva da Granada:


Meu povo, fiquei passada e engomada. Que coisa leeeeenda. Parece que o homem criou vida e saiu das amassadas páginas do periódico The Strand! Emocionante! Chuif... :`}

As necessárias adaptações são feitas, e uma sequência inicial é acrescentada ao episódio, explicando o roubo da joia antes de ela ser encontrada no papo do ganso pelo porteiro, mas achei bem feitinho, porque não "spoila" muito. Ah, a data também é transferida do dia 27 pro dia 24 de dezembro, pra acrescentar um clima mas natalino, fazendo mesmo como se fosse o Natal do Sherlock Holmes, mas ficou bom, pra justificar a surpreendente atitude dele no final.



Sem spoilar vocês, tem uma coisa do final que eu achei bem legal. Uma frase que foi usada idêntica ao texto original ("Afinal de contas, Watson, não sou empregado da polícia para suprir suas deficiências."), mas que, no livro, tem entonação leve e despreocupada e, na telinha, Brett carregou num drama que encaixou no momento. Aprovei! ;)

O vídeo abaixo é maior do que eu gostaria, mas pode matar a curiosidade de vocês.


A cena do estudo do chapéu começa a ficar bacana lá pelo minuto 7:10, mas a parte que eu citei em itálico acima está no minuto 8:46.


* Pensando bem, acho que o John Watson do Martin Freeman ("Sherlock", BBC) é o que mais me agrada porque guarda uma característica essencial do personagem: ele é fascinado pela habilidade de Sherlock Holmes. Não se pode travestir essa idolatria de desprezo, dê outro jeito de tornar uma série televisiva interessante. Um médico não iria se dar ao trabalho de contar as aventuras do melhor amigo detetive se não ficasse embasbacado com sua capacidade dedutiva.

23 de dez de 2010

Minha receita deste natal - Bombom de panetone

Que a Nigella Lawson é inspiradora, bom, isso todos já sabem, e eu já sabia. Vendo este programa, a primeira receita me pareceu muito interessante, e passível de adaptações.


Demorei a achar a receita da Nigella, mas encontrei neste link: http://www.styleathome.com/food-and-entertaining/recipes/recipe-nigella-s-christmas-puddini-bonbons/a/18992

E comecei a substituir as coisas. Basicamente, a base dela, que é o Christmas pudding, troquei por panetone. E o sherry virou licor de cacau, que eu tinha em casa. Minhas medidas foram muito "no olho", até alcançar a consistência que vi no vídeo (o que pra Belém não é suficiente, tem que ter mais chocolate pra ficar mais duro). Mas vamos lá que ficou bom à beça!

BOMBOM DE PANETONE


Ingredientes

3/4 de um panetone de 750g - gelado (deixe por algumas horas na geladeira)
licor de cacau (eu fui colocando até dar o ponto e o gosto que eu queria)
3 ou 4 colheres de sopa de glucose de milho - Karo
uns 250g de chocolate meio amargo
uns 100g de chocolate branco
algumas cerejas ao marasquino picadas

Preparo

O panetone (pode ser um bolo de frutas também) tem que estar gelado senão não rola. Pique e depois esfarele numa tigela. Comece a adicionar a glucose de milho e o licor, misturando bem com um garfo. Umedeça o panetone/bolo até obter uma massa que fique homogênea, mas grude nos dedos (por isso recomendo misturar com o garfo, na verdade).



Derreta o chocolate meio amargo e misture à massa, bem misturado.



Depois faça bolinhas, coloque num tabuleiro e leve para gelar até firmar. Então derreta o chocolate branco e coloque só um pouquinho em cima de cada bombom, como se tivesse "nevado". Com o chocolate branco ainda mole, decore com um pedacinho de cereja. Devolva os bombons à geladeira.

Rende uns 50, 60 bombons, depende da sua bolinha.



Feliz Natal! ;)

21 de dez de 2010

Sherlock Holmes - Noite Tenebrosa (Terror by Night)

Entre as primeiras adaptações cinematográficas do detetive da Baker Street figuram os filmes com Basil Rathbone no personagem principal. São os primeiros filmes de Sherlock Holmes falados, sabiam? Nigel Bruce faz um Dr. Watson desnecessariamente velho, mas essa é uma mania comum de algumas adaptações de tevê e cinema (nem todas: a nova série Sherlock, da BBC, coloca os dois amigos corretamente na mesma faixa etária).

Pois eu ganhei de Natal da querida Lu Naomi o dvd de Noite Tenebrosa (Terror by Night, 1946)! Gente que ama bons crimes e mais ainda os elegantes solucionadores dos mistérios criminais, como nós duas, vibra com uma Noite Tenebrosa a preencher seu Natal, né não? Pois eu já assisti duas vezes, não por uma razão qualquer, mas porque esse ótimo dvd (pela primeira vez em cores) traz nos extras a versão em preto & branco. Não resisti, e vi as duas.


Segundo a wiki, o roteiro é livremente baseado em duas histórias de SH: The Adventure of the blue carbuncle e The Disappearence of Lady Frances Carfax. Eu encontrei muito pouco dessas histórias no roteiro. Um velha dama, uma joia, o esquema do caixão. Digamos que seja inspirado nos contos. Mas é um bom roteiro. Assassinato, roubo, luta, a retomada de um clássico vilão (não, n00bs, não é o Moriarty! :P A história já se passa após a morte do maior inimigo de Holmes), e o curioso empréstimo a Agatha Christie de um elemento criminal pouco sherlockiano: o confinamento no trem.

Sherlockianos costumam se ressentir das tentativas de humor nas adaptações, porque Conan Doyle não incluía humor nos seus textos, mas eu pessoalmente já considero uma vantagem se o alvo do humor não for o próprio Holmes. No caso, Watson e Lestrade são os ridicularizados, talvez um pouco demais, especialmente Lestrade, coitado. No final ele é de grande ajuda, mas claro que o golpe de mestre é do mestre. Sherlock Holmes! : )

Apesar de virar alvo de piada, Watson foi bem retratado. É bem dele confiar logo nas pessoas e querer fazer algumas coisas sozinho na investigação. Claro que, nos livros, ele não é tão desastrado quanto foi nesses filme. E pra quem gosta das comparações Agatha-Christianas, acho que Watson com o tempo tornou-se um sidekick mais competente do que Hastings. Talvez, afinal, o ego de Poirot fosse de fato maior...

Rathbone faz um belíssimo Holmes, centrado, alto (como isso é indispensável), expressão de escrutínio na medida, a luta coreografada (no estilão da década de 40, claro, mas já deu um banho na série da Granada Television), enfim: vestiu o sobretudo com dignidade e fumou o cachimbo com propriedade. Mereceu seu Holmes. Fazer um Holmes correto é tudo o que um aficionado espera de um ator britânico, alto, magro de cabelos castanhos.

Se tiver nariz aquilino, é bônus! ;D

19 de dez de 2010

Clube da Esquina e outras mineirices musicais

Há dez anos, graças ao Emerson, comecei minhas incursões na mineiridade (e ele no paraensismo), o que inclui nos carros-chefe comida (minha sogra faz por onde) e música. Aí tem uma parada que me fascina: o Clube da Esquina.

Rapaziada, o Clube da Esquina é ou não é a galera mais emaconhada da MPB? Eu acho uma gracinha, sem hebismos. Sexta ganhei num amigo invisível (secreto, oculto, enfim, regionalismos à parte) daqueles de surpresa mesmo, sorteio na hora, o cd "Miltons Minas e Mais", do Emmerson Nogueira. Quais as chances de alguém levar pruma festa um presente unissex, te sortear e te dar um cd de um cara que vc gosta tanto a ponto de ter quatro cds do cabra, mas não ter justo aquele? E era de música mineira.

Eu tenho um outro cd de galera coletaneando música mineira, é do Roupa Nova, que eu amo também, é o "Ouro de Minas", que é ótemo, aquele estilão vozes do Roupa Nova, e com convidados. Os dois cds, enfim, são excelentes, estilos diferentes, recomendo ambos. Duas canções se repetem apenas: Fé Cega, Faca Amolada; Nada Será Como Antes. Ryca esta música mineira, hein? Achei que ia repetir mais. Que nada!

Daí que fiquei, domingo de manhã, ouvindo a voz agradável e os bons arranjos do Emmerson Nogueira na companhia agradabilíssima e insuperável do Emerson Santana Pardo e continuei a desenvolver toda uma teoria meio canalha - sem nenhuma base válida! - sobre música mineira. Vai mais ou menos assim (desliguem suas cronologias, fazfavô). Eu vou botar toda a mineirada na esquina e pronto.

Numa Esquina com E maiúsculo, um plácido rapaz negro de boné fazia música. Ele viu que era boa. Ok, todo mundo via que era boa. Seu penteado era um pouco esquisito, mas a música e a voz compensavam. O penteado foi perdoado, e o boné cobria. Ele se chamava Milton.

Aí tinha o Beto. O Beto morava numa colônia hipponga chamada Lumiar, e fez um jingle pra chamar a galera emaconhada pra ir pra lá comer, jantar, farrear, caçar sapo, contar causo, acordar, levantar e fazer café pra curar a ressaca da cachaça mineira que rolava na Esquina, que a esta altura já era um buteco, como toda esquina de Beagá tem que ser.

Lô era um caso à parte. Jogava RPG até altas madrugadas, estava convencido de que era um cavaleiro marginal lavado em ribeirão, que viveu mistérios, cavaleiro negro, senhor de casa e árvore (ecologia já tava na moda e tals). Lô era caso grave, tinha visões com igrejas, sinais de glória, muros brancos, voos pássaros, grades e sinais. Provavelmente o cigarrinho do demo era brincadeira de criança pra ele. Corria à boca pequena na Esquina que ele já tava com a Lucy no "Séu" entre Diamantes. Falava de todas essas paradas, dos homens sórdidos, das cores mórbidas, mas ninguém escutava nem queria acreditar. Por pouco não foi internado, coitado.

Flávio era romântico. Tinha futuro na doidice com Linda Juventude, aquela parada de zabelê-zumbi-besouro-vespa fabricando mel (abelha não cabia na rima, pô) era bem esquinosa. Mas quando ele me apareceu na Esquina com aquela rasgação pela dançarina de flamenco que lhe apresentou a espanhola, rapá, foi uma zoação. Um tal de "Flávio, vai te criar, toma uma cachaça, vai virá macho, 'se for chorar, te amo?'" Sempre assim. Amigo arruma mulher, os outros dão pinote.

Milton olhava tudo de cima (levantando um pouco a aba do boné, senão lhe cortava meia visão), jogando bola de meia, bola de gude, porque tinha uma certa magia, uma força que alertava a rapaziada. Não perguntava onde ia dar a estrada, e deu que uma molecada doida numa bola chegou na Esquina, não se sabe muito bem se na base das #dorgas, mas talvez àquela altura já nem precisasse pois no sangue corria a falta de juízo necessária para a produção de música-mineira-esquineira. De cara havia coveiros gemendo e realejos ancestrais jurando, o que apenas prenunciava, comandante capitão tio brother camarada chefia amigão (por acaso essa é a folha de pagamento atual do Clube da Esquina F.C., o Buteco), que os meninos eram adeptos do clássico embebedamento mineiro. Desce maaaaaais. Desce maaaaais que aqui homem vira macaco e mulher vira freira. Milton acabou respondendo na mesmo moeda e dando-se a gravar música dos moleques e tudo. E ele viu que era bom.

Daí que eu acho que em Minas é assim. Se fizer muuuuito sentido, se você estiver muuuuuito sóbrio, ih.... não vai pegar.

14 de nov de 2010

L'Occitane - Aromacologia, Rameau d'Or, cabelos em geral e esfoliação

Este post saiu no Le Club Jean Briant de Français, meu blog de francês, e como é de cosméticos, eu trago pra cá. Mas aqui no QE acrescento as opiniões pós-uso. Rameau d'Or só será usada depois do Natal! ; )
A L'Occitane Belém está com várias coisinhas em promoção. A linha Rameau d'Or, por exemplo, está todinha em promoção, uma beleza!

Le Rameau d'Or
Le Rameau d'Or
Trouxe pra casa o xampu, o condicionador, o hidratante e o sabonete. Eu nunca tinha comprado xampus da L'Occitane, só uma vez um pequeninho de viagem. Hoje resolvi investir nesse filão. Os de oliva Rameau d'Or são para uso diário.
Recomendaram-me o xampu reparador Aromacologia com 5 óleos essenciais. Bom para quem usou alguma química no cabelo. Ganhei duas amostras da máscara capilar da mesma linha.


Update: já usei o xampu e o condicionador Aromacologia, gostei do resultado. Cabelos macios, mas não ficam pesados. Como sempre, o forte da L'Occitane é o perfume. O cheiro é delicioso e perfeito!
E como eu adoro um sabonete, vcs sabem, trouxe dois sabonetinhos de Amande pra experimentar. São esfoliantes e custaram R$11. Hoje só comprei novidades, e tudo estava em promoção! ;)

Savon Gourmand Amande
Savon Gourmand Amande
update: o sabonete é esfoliante meeeesmo, tipo, mais esfoliante que o esfoliante de uva da mesma marca (mencionado neste post), que por acaso também mora no meu banheiro, e também ganha do Bonne Mère Verveine (citado aqui), que tem uma esfoliação diferente, que não é granuladinha. Enfim, esfoliação gostosa e eficiente. Se vc quer uma esfoliação mas levinha, escolha as opções de verbena (seja o Bonne Mère ou aquele em forma de folha).

4 de nov de 2010

Perfuminho novo da Chamma

Sabem, por muito tempo eu nem gostava muito de perfumes. Agora eu estou descobrindo alguns, e a Chamma da Amazônia é em parte responsável. Recentemente comprei o Águas de Oriza (acima), que é suave e gostoso. Em agosto ele foi assunto no programa É do Pará, como informou o blog da Chamma.

Não é o primeiro perfume da linha águas e banhos que me atraiu. O primeiro, e que continua sendo meu favorito, foi o Água de Chuva, que vem com uma folha seca de mangueira dentro do vidro. Um charme a mais.

Infelizmente a Chamma não tem um site ativo no momento (só o blog, linkado acima). As lojas estão espalhadas pela cidade, e acho que pelo Brasil também: Estação das Docas, Boulevard Shopping, um quiosque dentro do Magazan da Doca são as que me lembro agora.

Há outros produtos também, como sabonetes e cremes, mas, na minha opinião, o forte da marca são os perfumes, que são de ótima qualidade, com boa fixação. Recomendo!

6 de out de 2010

Um povo à espera do Sassá Mutema?

Mesmo tendo votado na Dilma, fiquei feliz com o resultado excelente da Marina domingo passado. Acho ótimo que as pessoas se dêem conta de que não vivemos num bipartidarismo e que há outras opções. Isso é saudável e democrático. Mas tem um tipo de argumento para votar na Marina, ou melhor, um aspecto desse argumento, eu diria, que, bom, que me deu o que pensar.
Tenho conversado muito sobre política ultimamente. O clima tá propício e no geral eu gosto. É um assunto que me interessa demasiado. E, assim como todos, ouço muita gente dizer que se desiludiu com o Lula e por isso não vota mais no PT.
Desilusão pressupõe ilusão. Eu também me desiludi com o PT, junto com vocês, com o mensalão. Mas aprendi com isso. Cresci com isso. Mudei com isso.
Entendi que ilusão nada tem a ver com política. O que não quer dizer que você não possa sonhar com um país melhor. Você deve. Mas com um governo perfeito? Que não erre? Que não te decepcione nunca? Com um partido perfeito? Sem ninguém mal-intencionado? Nenhum corrupto? Um político perfeito? Um presidente perfeito? Uma pessoa perfeita?
Discupaê: você não tá querendo demais?
Acorda, Alice, isso não existe.
Não estou defendendo corrupto. Tá provado? Não vote mais no cara e acabou. Mas entenda a natureza humana, por favor, cresça, e aprenda que é impossível garantir que todos no governo e no partido serão 100% honestos/competentes dia-e-noite, noite-e-dia quando se chega ao poder. O poder corrompe, ouviu falar? Esta frase não nasceu do nada. Nasceu da observação da natureza humana, a imperfeita e falha natureza humana.
Exija punição para os corruptos. Não vote mais nos que não forem suficientemente punidos. PT ou não PT, se é ficha suja, não votei e acabou. O PT não é pior ou mais corrupto que outros partidos, e quem acredita que este governo é o "mais corrupto da história" nasceu ontem e acredita em conto da Carochinha. Apenas se sabem mais das mutretas agora. O que, na verdade, é ótimo!
Decepcionar-se com um problema é normal. Desistir de um projeto porque ele não perfeito, ou porque as pessoas envolvidas não são perfeitas, a meu ver, desculpa, é querer sempre estar isento de qualquer responsabilidade. É querer se dar o direito de ser sempre contra o governo, votando num candidato que tem projeto vagos e bonitos e que você sabe que não vai ganhar.
Não estou dizendo que todos os eleitores da Marina pensaram assim. Mas percebi que alguns pensaram. Não escolheram a Marina, sequer se deram ao trabalho de estudar seu programa, suas propostas. Escolheram a via fácil e sem responsabilidade.
É fácil votar em sonhos, em partidos que nunca chegaram ao poder. Difícil é, de pedra, virar vidraça. De sonho, virar realidade. Criticar o que é pra criticar e, ainda assim, seguir defendendo o projeto do Partido dos Trabalhadores. Porque, com mais de 30 milhões de ascensões à classe média, o PT provou que esse sonho é possível.

15 de set de 2010

Old lady


Outro dia eu estava na praça de alimentação do shopping e vi uma moça, bem arrumada e sorridente, com uma pasta bem gorda nos braços e uma sacola, seguida de perto por um casal de mãos dadas. Pensei imediatamente: "organizadora de casamento". Os três sentaram-se em uma mesa e da pasta e da sacola começaram a sair álbuns e amostras de convites e outros itens. Eu estava certa.

Eu chamaria isso de "treinamento Miss Marple".

O Poirot chama muito a atenção, né? Todo aquele ego e tudo mais, e os detetives são atraentes, montando seus quebra-cabeças enquanto todos os outros estão no escuro. Confesso que sou apaixonada por eles. Holmes, Poirot.

Mas ela... Ela é uma de nós! Nós, que ficamos lendo histórias de detetives e nos tornamos observadoras da vida real e das pessoas, todas nós guardamos dentro de nós uma Miss Marple a tomar chá e conversar sobre as pessoas. Puro interesse no ser humano, nos padrões de comportamento, no que se repete, no que se pode prever. Atenta aos pequenos sinais que indicam quem é quem, qual o papel de cada um no quadro geral de uma casa, de uma família, de um grupo humano onde quer que esteja. Não se engane, os papéis sempre são distribuídos, e as pessoas tendem a agir de acordo com eles.

Jane Marple age por instinto e vocação, não por profissão nem por recompensa. E sua posição neutra e
inofensiva é o segredo de sua eficácia. Ela chega onde nenhum Poirot chegaria. Bom, é incomparável, de fato. Ele usa as células cinzentas, ela usa "people skills". Ele não excede muito nesse campo, né?

Meu caso favorito de Miss Marple até hoje, e um de meus livros favoritos da Agatha, é "Convite para um Homicídio". Geralmente o caso me conquista quando eu o resolvo, e esse eu meio que resolvi, mas muito mal e porcamente. Eu já tava sacando que tinha que ser aquela pessoa, mas não sabia nem como nem porquê.

Spoiler em branco aqui embaixo:


Eu cheguei a CORRIGIR a lápis na minha edição quando a Bunny chama Letty de "Lotty", achando que era um erro de revisão. Tolinha. Na segunda vez que fui corrigir, parei. Peraí, o mesmo erro, duas vezes?..




-Livre de spoiler daqui pra frente!-


Sutileza, as versões tão semelhantes, as contradições de cada testemunho são tão pequenas, mas é nelas que está o diabo. Nos detalhes.

É isso que mais amo em Jane Marple. O que ela permite que eu empreste. O que há dela em mim. Aguardem. Um dia hei de dar à luz minha própria Miss Marple...



Mais Agatha hoje em...



Clique aqui para aprender a fazer o famoso bolo Delicious Death da louca da Mitzi.

11 de set de 2010

Por que o 11 de setembro é inesquecível

"Para a maioria dos americanos, a guerra é uma atividade abstrata e teórica. Eles fazem a guerra, e muito bem, tanto que estão prestes a vencê-la, mas não a sofreram na carne. Não viram suas filhas serem levadas aos milhares, não assistiram ao fuzilamento de reféns, à prisão de suas mulheres, à destruição de seus lares nem ao saque de suas casas. Sabem direitinho que tudo isso aconteceu, mas foi com os outros..."
Agnès Humbert, Resistência (Notre Guerre), 1945-1946

O diário e o testemunho de Agnès Humbert durante a ocupação da França são um dos documentos mais importantes desse período. Agnès trabalhou no jornal Résistance e foi presa. Fez trabalhos forçados na Alemanha até a chegada de soldados americanos.

Os americanos participaram da maior parte das guerras dos últimos cem anos. Mas nenhuma delas se desenrolou dentro de suas fronteiras. Por essa razão, o ataque fulminante de um único dia teve tanta repercussão.

Sei que não é uma competição de sofrimento, né? Mas eu acho o 8 de maio e o 11 de novembro mais significativos...

8 de set de 2010

Maquiagem Pivoine L'Occitane

Eu estava louca pra conhecer a maquiagem da L'Occitane! Sabia que chegaria às lojas no Brasil em setembro, e hoje fui dar um perdido na minha adorada lojinha da Braz de Aguiar, e logo dei de cara com a nova linha Pivoine, ou Peônia, uma flor linda e de perfume delicioso que serve de base para a maquiagem da L'Occitane.

Comprei o batom Surprise Scintillante, que tem uma cor muito leve, bem cor-de-boca mesmo.

Rouge à Lèvres Surprise Scintillante
Rouge à Lèvres Surprise Scintillante

Lá na loja tinha quatro opções de batom e quatro de gloss, e tem um gloss incrível, que pode ser usado também como rouge, não é demais?? O vendedor, muito educado e atencioso (sempre sou super bem-atendida lá!), me disse que as sombras também são excelentes, mas como eu não uso sombra em pó, só cremosas (e olhe lá, porque quase não uso maquiagem), fiquei só no batom mesmo.

Fard à Paupières L'Espérance
Fard à Paupières L'Espérance

Ainda na linha Pivoine, o Baume de Paeon é um bálsamo para os lábios, que vem na forma de líquido, como um gloss.

Baume de Paeon, pour les lèvres
Baume de Paeon, pour les lèvres

Só não fiquei interessada porque eu já fui atrás do protetor labial de Karité, no formato clássico de batom, e o Baume de Paeon parece meu gloss de rosas, só que sem corzinha.

Ainda na linha Pivoine, não pude resistir ao Eau de toilette Roll-on! Dá pra levar na bolsa, e o perfume é delicioso, meio cítrico, meio amadeirado, só experimentando mesmo!

Eau de toilette Intense Roll-On Paeonia
Eau de toilette Intense Roll-On Paeonia

A versão Roll-On é um pouco mais intensa que a da embalagem comum, tá?

Eau de toilette Paeonia
Eau de toilette Paeonia
Não sei por que, mas eu tenho um fascínio por perfumes diferentes, em embalagens de bolsa, perfumes sólidos ou cremosos. Quase nunca compro perfumes líquidos, e como uso pouco, funciona bem pra mim. Ainda tenho meu Touche Bonne Humeur Lavande de muitas coleções passadas, e anda na minha bolsa. :)

Aliás, a inexorável linha de Lavanda... Passei rapidamente a mão num Crème Relax Pieds antes de desvanecesse no ar! Tantas vezes eu já tinha ido nessa e em outras lojas da L'Occitane sem encontrar esse creme, e enfim ele voltou às prateleiras! Um já é meu!

Crème Relax Pieds Lavande A.O.C.
Crème Relax Pieds Lavande A.O.C.
[sabe por que A.O.C.? Ça veut dire "Appellation d'Origine Controlée", ou seja, não é qualquer lavanda não, é A lavanda da Provence, meus filhos, o filme que deu origem à série, aquele felpudo tapete lilás que cobre os campos provençais feito imagem de sonho...]

E fechando o ato com mais dois petits savons essenciais (Karité Lait e Rose de Quatre Reines), assim fiz feliz minha tarde com mais uma visita deliciosa à L'Occitane. :)

L'Occitane Braz de Aguiar, entre Dr. Morais e Serzedelo
L'Occitane Braz de Aguiar, entre Dr. Morais e Serzedelo

p.s.: Post simultâneo no Club Jean Briant de Français.

8 de ago de 2010

BBC's Sherlock: Holmes no século XXI - spoilers do 1o. episódio

Estou assistindo Monk enquanto escrevo a resenha do primeiro episódio de Sherlock, e isso deve dizer alguma coisa sobre mim. Eu adoro histórias de detetive, e tudo começou com ele. Sherlock Holmes. Comecei a ler as aventuras do detetive inglês aos 11 anos, e daí veio toda a minha paixão por romance policial. Mas também criou uma forte resistência a adaptações de Sherlock Holmes.

Sherlock não é dado a adaptações, é duro e sem humor, o que, no século XIX cabia perfeitamente. Mas, por exemplo, num filme de hoje, pouca gente ia querer ver, daí fazem um Sherlock totalmente descaracterizado, engraçadinho-tipo-humor-americano, gostando de mulher, fraco. Sherlock não é fraco, não enfraqueça Sherlock ou eu lhe meto a mão na cara. Ele não tem que ser coerente como um ser humano, ele não é Poirot, não tem sentimentos, Sherlock Holmes é um super-homem.

A grande idéia da adaptação da BBC foi transpor Sherlock para o nosso século. Isso dá a liberdade necessária para acrescentar os toques que atrairão o público, como o humor, mas com a fineza de mantê-lo britânico e inteligente, rápido e não óbvio. Então vamos a "A Study in Pink".


No nome eles já dão o recado: vamos beber na fonte. A primeira história de Sherlock Holmes chama-se "A Study in Scarlet", e há diversas referências durante o episódio, o suficiente pra acender o fogo sagrado dentro de mim. E, é claro, eu matei a charada antes do final.

"A ciência da dedução", nome do capítulo no qual Watson fica conhecendo o funcionamento da técnica sherlockiana, virou o nome do site. Aliás, amei o uso dos SMS e a parada de colocar as palavras na tela, bela sacada. A guerra no Afeganistão, onde Watson foi ferido, virou, bem, a guerra no Afeganistão. A história se repete or what? Pois é. Barts, o colega Stamford, o local do crime, a palavra Rache (embora com o sentido trocado), tudo bebe da fonte, mas se coloca de forma brilhantemente nova.

Mas a melhor parte foi a do celular! Todas as informações que Sherlock (é curioso chamá-lo assim, eu costumo usar "Holmes") deduz a partir da observação do celular de Watson, originalmente vêm de uma cena de "O Signo dos Quatro" (segunda história de Sherlock Holmes), mas no livro o objeto é um relógio de bolso. A mudança foi super bem-feita, até a história da dedução do alcoolismo pelos arranhões da entrada do carregador (no livro, era a entrada do pino de dar corda no relógio). Bom, no livro o irmão era irmão mesmo, ok?

E sem dúvida a escolha do elenco foi precisa. Nosso amigo Arthur Dent, ou melhor, Martin Freeman como Dr. John Watson é ótimo, mas Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes é fantástico. Tem a voz certa, a altura, o pescoço comprido, o rosto branquelo. E é bonito.

A viagem vai ser boa. Espero que tenha mais de três escalas, BBC!

Se quiser, aqui no velho QE tem mais posts sobre Sherlock Holmes: http://quartoescuro.blogdrive.com/categories/Sherlock%20Holmes-8.html .

7 de ago de 2010

Here's what you missed on *Glee*!

Eu sabia que quando eu fosse me meter a ver Glee eu ia amar, e amei.

Glee é um High School Musical cáustico-pirado e com um repertório excelente feito para adultos. Apesar de os temos dos conflitos serem na maioria adolescentes, é muito mais focado nas suas lembranças de adolescência do que num estilo high-school-malhação de achar essas coisas realmente sérias e importantes. O humor avacalha com os conflitos, fala-se de tudo, de drogas e de sexo na maior patifaria e sem querer ensinar nada a ninguém, os losers estão no centro do universo (enfim perceberam que são os losers que estão sentados horas diante da tv e resolveram fazer tv pra eles, como Glee e TBBT), mas continuam sendo losers mesmo tendo seu próprio show.

A mocinha [Rachel Berry] é uma chata de galocha (meu deus, eu me vejo nela a cada episódio. sou insuportável), a vilã [Sue - absolutamente perfeita!] tem um diário e a outra mocinha, a professora legal, [Emma] tem uma lista de TOCs que lhe elegeriam para noiva do Monk. Com direito a cheerleaders vingativas, umas burras, outras nem tanto, e uma diva de personalidade vibrante [Mercedes], minha personal favorite do time das meninas do Glee Club é a improvável Tina, que cantou raivosamente "I Kissed a Girl" no teste, mas se revelou de uma intensa ternura no encontro com Artie e na interpretação de True Colors. Linda!!

Com uma mocinha chata como a Rachel brigando pelo galãzinho com a cheerleader, não vai faltar quem torça pelo adolescente gay [Kurt], que engrossa as fileiras de apaixonados por Finn, o atleta que tem sentimentos e uma puta voz. Até o judeu bruto de cabelo moicano [Noah Puck] canta bem e é bacanoso, mas é galinha, também não vamos exagerar. Artie me enganou tão bem que fui seca crendo que o ator era cadeirante de fato. A posição de pernas de ladinho pôs a Alinne Moraes no bolso. Mas não se enganem. O macho alfa do Glee Club é Mr. Schuester, el profesor de español. Que canta e dança "Vanilla ice ice baby" e continua uma tesão. Ui.

Glee bebe na fonte de Grease com a sede de gerações. Atores e atrizes americanos aprendem a cantar e dançar, além de atuar, e eu pago o maior pau pra isso. Valorizo muito, e morro mil vezes de inveja. Por que não temos uma escola de atores assim? Simplesmente não há essa tradição no Brasil. Pena...

Mas o ator principal de Glee é o repertório. É ele que chama audiência. De repente você está ali, assistindo despreocupadamente aquele seriado divertido, e aquele grupelho de jovens mega-ultra-máxi-talentosos faz uma performance inesquecível com uma música que você ama! Não usar músicas novas é brilhante. Sempre vai ter alguém a ser conquistado com uma das canções do episódio.



A música tem razão de ser, ali. Não tem aquela história de, de repente, o roteiro vira música e a cena continua depois numa estranheza total, o que costuma ser uma crítica de quem não gosta de filme musical. Não. Eles estão ali pra cantar, ensaiam e tudo mais. Claro que as canções são escolhidas de acordo com o tema do episódio, ninguém é bobo, mas nunca fica esquisito.

E as performances? MELDELS. Eu só posso dizer que se você ainda não viu, veja. É difícil dizer o que ficou melhor, mas eu, muito pessoalmente, adoro os mash-ups do episódio Vitamin D.